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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Colômbia em 5 minutos (ou talvez um pouco mais)

 
Aqui ficam as dicas para os próximos viajantes que vão para a Colômbia.
Tudo visto da minha perspectiva: viagem em casal, com dicas dadas por uma miúda, de quem não tem paciência para planear viagens, não gosta muito de sítios muito turísticos, mas gosta de encontrar (muitas) pessoas.
 
Ora bem:
Dica #1 - É importante marcar as viagens em função dos calendários locais. Descuidámos isso e andámos numa espécie de gato e rato com o Carnaval Colombiano. Há sempre festas a acontecer em todos os locais do mundo e, por dois ou três dias, é pena perdê-las.
 
 
 
Também é importante marcar as viagens internas, quando se sabe (mais ou menos) o que se vai fazer.
 
Por exemplo:
- Nós não gostamos de marcar voos internos para o dia seguinte ao dia da chegada ao país. Nunca se sabe o que pode acontecer: um avião que se atrasa, uma mala que não chega. E também não gostamos de não estar na cidade da qual parte o avião para casa no próprio dia do voo. Por causa disso, acabámos por passar três noites em Bogotá (duas à chegada e uma antes de voltarmos para Portugal).
De uma forma geral, foi demasiado tempo.
 
Acabámos para adiar também o nosso voo desde o Norte da Colômbia para Bogotá e acabou por nos custar mais caro do que inicialmente poderia ter sido.
 
Dica #2 - Falando em voos internos. Há duas companhias que essencialmente voam dentro da Colômbia: a Vivacolombia e a Avianca. À partida diria para escolherem o voo mais barato, claro. Mas atenção, a Vivacolombia cobra sempre à parte o custo das malas (mesmo que seja mala de cabine, e nesse caso paga-se ainda mais) e por isso, provavelmente o melhor voo será o da Avianca.
 
Dica #3 - Em matéria de transportes, a UBER deu-nos muito jeito. Só se aconselham a usar os táxis amarelos e muitas vezes nem usam o taxímetro. Já com os motoristas da UBER nunca ficámos mal (às vezes foi um bocado difícil encontrarem-nos, sobretudo no aeroporto de Bogotá, não sei porquê). Por exemplo: o percurso do aeroporto para qualquer sítio da cidade ou o percurso idêntico tem sempre o custo de 25.000 COP. E esse foi o UBER mais caro que apanhámos.
 
Dicas #4 sobre a Higiene:
Não foi fácil encontrar sítios para dormir, em regime low budget, que fossem muito limpos. Não raro encontrámos longos e negros cabelinhos. O que para mim, foi o delírio!
Às tantas, desistimos dos sítios mais baratos do booking e passámos para os de preço médio. O nosso orçamento para dormidas rondou os 35€/40€ por noite, em quarto duplo, com casa-de-banho.
De notar que, tirando Bogotá, nenhum outro banho teve água quente. E as noites não são assim tão quentes nesta altura do ano (Janeiro/Fevereiro), porque é altura dos ventos alísios. O que acaba por ser bom para afastar os mosquitos, mas na hora de tomar banho ao final do dia... Basta fechar os olhos e imaginar que se está numa cascata.
Sobre a higiene no seu todo, é mais do mesmo: cuidado com água, gelo, comida não bem conservada.
Nós viajamos SEMPRE com sacos-de-cama e uma manta que faz de lençol. Não foi demais.
 
Dica #5 sobre o orçamento - comer em restaurantes pode ficar tão caro como ir jantar fora em Lisboa. Há várias alternativas na rua.
Em Bogotá, por exemplo, tudo custa 2.000 COP - um copo cheio de fruta, uma garrafa de água ou um croissant nas (poucas) padarias.
Dormir em sítios médios, ficou-nos então entre os 30€ e os 50€ por noite.
As viagens domésticas custam entre os 50€ e os 100€ e os autocarros de curta duração variaram-nos entre os 3€ e os 10€ (mas também não explorámos muito esse meio de transporte).
 
Dica #6 sobre a comida - Há que ser sincera: come-se MUITO mal. A comida típica de Bogotá é de longe o meu estilo. Em Guajira é tudo à base do peixe frito (ou há opção de comer o frango, mas eu cá desconfiei...). Em Bogotá, na rua, há muita, mas muita fast food. Eu alimentei-me muito à base de Pizzas e batatas fritas. Pão nem vê-lo. Sempre que apanhei uma padaria enchi-me de todo o pão (quase sempre doce) e croissants. Falar em comida sem açúcar é como falar em mar sem sal, mas no que toca à farinha estão sempre aflitas!
Preparem-se para os fritos e o panrico. E ovos e queijo também é muito frequente.
Em contrapartida, a fruta é absolutamente divinal. As bananas que como cá todos os dias vêm todas da Colômbia e por isso, optei quase sempre por outras variedades. Ainda assim há sumos que ficam muito bem da conjugação da banana com outros frutos (dos quais nunca havia ouvido falar). E, claro, além de tirar a sede, um bom sumo alimenta sempre.
Outra coisa que há em cada esquina, são casas de pauzinhos de gelado (de iogurte, água ou leite, com todas as variedades de sabores). Gelados tipo Olá é absolutamente como comer gelados no café do Aires. Dispensem.
Aconselho muito: beber sumo de Lulo. E provar água de panela, só porque é típico. Ah, e já agora, o chá de coca.
As empanadas que vi (e tive a péssima ideia de pedir uma) eram terríveis - um mix de rissol de restos de carne com arepa.
Já a arepa também vem ao prato em todos os pequenos almoços mais típicos (uma mistura de milho com água ou leite). Nem sempre são boas, por isso, provem todas até que comam uma que gostem.
A carne de vaca que comemos (muito pouca) tinha um sabor terrível. ´
Posto isto, cheguei a Portugal e a minha avó encheu-me de bolachas.
 
Dica #7 - dicas gerais: levar bons ténis para caminhadas, protector solar e repelente para mosquitos. Alguns comprimidos também podem dar jeito, para os mais sensíveis. Eu nunca dispenso o saco-cama e as minhas toalhas de banho, mas isso depende de cada um.
Pela primeira vez na vida em viagem, não levei um só livro. E foi a primeira vez que ele me fez falta. Fica a dica.
Outra coisa, que me lixou o esquema todo, é o fuso-horário! Não consegui. Todos os dias pelas 5 da manhã lá estava eu de pestana aberta. A sorte é que anoitece muito cedo (pelas 18h) e amanhece também bastante cedo, de forma que fingia que estava mais ou menos na hora portuguesa.
 
Mais concretamente quanto aos locais que visitei.
 
BOGOTÁ
- Nas duas primeiras noites ficámos a dormir na Candelaria (no Hostel Explora, mas que eu não achei limpo). Fizemos o Free Walk Tour (há vários à escolha. Nós fizemos o do ponto de turismo mas não achei assim tão interessante...) e não fizemos o graffiti free tour (que devia ter mais piada). Além de passearmos na cidade velha, fomos a Montserrate ao final do dia (apanhámos um UBER até ao teleférico e subimos, o que não é aconselhável a claustrofóbicos) e ficámos lá até ficar escuro. Tem muitos turistas a fazer o mesmo, por isso é absolutamente seguro. Andar naquela zona a pé, depois de escurecer é que não. Mas tem wifi cá em baixo (para os UBER) e alguns táxis.

O ponto de apoio ao turista é neste prédio, na Plaza Bolivar.
 
- No domingo há uma Feira das Pulgas, junto do Mercado de Santa Barbara, em Usaquén. É engraçado e sempre se tem uma ideia completamente diferente da cidade. Desse lado é tudo muito mais moderno e até as pessoas são diferentes.
- Na última noite em Bogotá, dormimos na Zona Rosa, num sítio que vimos no Booking, chamado Top Tours Acomodation. Pagámos pela localização (que é um bocado barulhenta). Parecia que era uma cidade diferente da primeira Bogotá que conhecemos na Candelária. Imensas lojas, restaurantes, pessoas, bares, música, carros, barulho, trânsito (Ah! O trânsito em Bogotá é inacreditável. Especialmente ao sábado, dia em que todos os carros são autorizados a circular, e por isso pode demorar-se muito tempo a fazer pequenos percursos. Por exemplo, até ao aeroporto pode demorar-se uma hora no trânsito).
Lisboa fica bem reduzida, em comparação com esta cidade, no que toca a marcas de lojas e restaurantes internacionais.
Diria para irem ao Andres, nem que seja só para ver (que foi o que fizemos, porque não tínhamos dinheiro para lá comer).
- Fomos passear a Chapinero, que a recepcionista do Hotel disse que tinha comércio alternativo. No meu entender, iria encontrar artistas e lojas diferentes. Mas afinal, é uma conjugação de lojas de electricidade com roupas de loja de chinês. Uma espécie de Almirante Reis, mas com Sul Americanos.
 - Pratos típicos: bem, há um restaurante de fast food em casa esquina. Fora isso, há restaurantes típicos (nós comemos na Candelaria, na Rua dos museus) e os pratos típicos são Ajiaco, Bandeja Paisa e Tamale. Honestamente, não gostei de nenhum dos pratos, porque são muito gordurosos e não gostei do sabor da carne de vaca, nunca! (Menos ainda depois de vermos os talhos ou outros serviços semelhantes aos quais não se pode dar o nome de talho). Patacón também há em todo o lado (que são uns fritos feitos de banana pão).
 
 - Na zona onde ficámos a dormir no final da viagem, descobri um sítio com umas empanadas incríveis! As únicas com  bom aspecto e deliciosas (havia de cogumelos, de carne, de queijo, de tomate, enfim, toda uma super variedade!) Gostei tanto (e do sumo de lulo) que quis voltar lá!! E as miúdas simpáticas, que até ofereceram uma empanada de cortesia. Em resultado, apanhei a única diarreia da viagem inteira! Bem mas há de ter sido azar, vão lá! Baratíssimo!



Foi em Bogotá, perdidos num mercado na zona da Candelaria, super local e turístico ao mesmo tempo, que aprendemos que A la orden é a frase mais usada, um equivalente a Buy for me asiático.



Nota: Há quem sinta a altitude em Bogotá. O Kico teve algumas dificuldades de respirar.
Eu tive outro tipo de dificuldades...



CARTAGENA
A nossa aventura em Cartagena começou logo muita mal. Desde logo porque chegámos cansadíssimos e muito tarde e fomos parar a um Hotel que nos pareceu no boda, em la Boca, péssimo e caro. Tivemos de mudar para o hotel do lado (Naval, ou algo assim) que também não era barato e introduziu-nos à moda da mangueira presa na parece a fingir que é chuveiro. Pior a emenda que o soneto, quando decidimos ir para perto do centro de Cartagena. É que centro e centro histórico são duas coisas beeeem diferentes.
À parte do drama, finalmente chegámos ao Caribe, ao calor, ao sol e ao mar. Esqueçam o mar, esqueçam a praia e foquem-se no sol, na poluição, no barulho, nos imensos turistas e nas ruas cheias de gente. Imaginem meter a 2ª circular na hora de ponta e o Colombo num domingo chuvoso dentro das muralhas de Óbidos. Mas em giro, não vou negar. As ruas todas coloridas, as casas coloniais bem conservadas, com diversos hosteis à escolha (pena que o Booking não foi nada elucidativo).



Nós fizemos de Cartagena o ponto de partida e a ponte com Bogotá, por ser aquele clássico de todo o viajante.
Por termos ido para Cartagena decidimos não nos afastarmos muito daquela zona Norte. Não sei se foi a melhor opção. Por um lado, acho que não apanharia um avião SÓ para ir a Cartagena. Por outro lado, estando no Norte da Colômbia acaba por ser perder muito tempo para depois conseguir aproveitar outras coisas.
Com base nisso, vou explicar o que fizemos, sugerindo que eventualmente ir às zonas cafeteiras, perto de Medellin, não será de todo pior hipótese (falaram-me muito bem de Arménia, por exemplo, para onde se apanha um avião barato desde Medellin). Várias vezes, durante o início da viagem me questionei se não teria sido muito burra em ter posto essa parte de lado, mas verdade é que não dá para ir a todo o lado.
No final, acho que fizemos um bom roteiro, dentro do que foi a nossa opção.

Cartagena diria que se vê numa manhã.
A maioria das pessoas depois visita a Playa Blanca, mas sobre isso não me posso pronunciar.
Nós tivemos a sorte de ir para Cholon, nas Ilhas Baru, Rosário, para uma casa em cima do mar, sem ninguém.


BARRANQUILLA

A ida a Barranquilla estava completamente fora do nosso calendário e isso fez com que tivéssemos de deixar de parte outros voos e concentrarmo-nos mais no Norte.
Diria que Barranquilla tem a sua graça se acompanhados por locais, mas que em termos turísticos só se for mesmo para ir ao Carnaval. É uma cidade grande e desenvolvida (mas com pouco mais para ver que os prédios altos modernos).
O Museu do Caribe é giro, caso por acaso vão parar a esta cidade.

De Barranquilla fomos de autocarro até Riohacha, em Guajira. Esta cidade também não tem mais interesse que o ponto de partida para o deserto.

GUAJIRA - CABO DE LA VELA, PUNTA GALLINAS E PALOMINO
Para ir a Cabo de la Vela ou Punta Gallinas, a menos que sejam muito aventureiros e tenham um carro, é preciso ir em viagens organizadas.
É preciso agendar com dois ou três dias de avanço, porque se não tiverem pessoas suficientes as agências podem não efectuar os passeios.
Nós marcámos pela internet pela MagicTours. Foi um bocado filme porque tivemos que fazer um depósito no banco de 50% do valor. Mas há gente que compra directamente nos escritórios das agências (há um em Cartagena e há várias formas de arrancar desde Santa Marta ou Palomino).

O nosso passeio foi de 2 noites, 3 dias e custou-nos 450.000 COP.
Para ir até Punta Gallinas é preciso os três dias porque é muito longe. Eu pessoalmente gostei de ter ido, porque o deserto é bastante diversificado em termos paisagísticos, mas se tivéssemos uma agenda muito apertada talvez uma noite em Cabo de la Vela tivesse sido suficiente.
Para este tour é preciso prepararem-se psicologicamente para o total desconforto e despudor. É tudo super (mas mesmo) pobre. A água escasseia (apesar disso, consegui sempre tomar banho) e as dormidas são feitas ou em redes na rua ou em quartos absolutamente singelos (há sempre a opção de pagar cerca de 5€ por pessoa, para se dormir em quartos, sujeito à disponibilidade das vagas). A comida também é fraca (optem pela lagosta!) e convém ir munido de snacks e água (apesar de haver lojas com batatas fritas e bolachas).

Faz muito calor mas também se tem algum tempo para banhos no mar.
Do mar não sei o que dizer. Eu esperava mais. A água do mar é tudo aquilo, o verde e o azul bem bonitos, mas só ao longe. Porque é um mar muito mexido e com muitas correntes e por isso tem muita areia e não se vê um palmo debaixo de água.

Em Cabo de la Vela ficámos hospedados no Del Mar al Paladar (penso que era este o nome) e o quarto era bastante aceitável, para o que podíamos espera (e em comparação com as hamacas onde eles queriam que dormíssemos, mesmo no meio da rua... estamos na Colômbia...ainda bem que não vi o Narcos antes de ir!)
Em Punta Gallinas dormimos num sítio chamado Luz Milla. Aqui já foi mais difícil, mesmo por questões básicas como a água. Contudo, aqui as hamacas sempre estavam protegidas e ficavam dentro da Hospedagem.













Quando se chega a Palomino, depois de três dias no Deserto, é uma sensação de alegria, de familiaridade, de conforto, de civilização, de abundância!
Aqui não hesitem! Durma no Tiki Hut Hostel (mas marquem porque tem muitos poucos quartos e está sempre esgotado!!) ou no Dreamer (que não tem redes mosquiteiras).
O pequeno-almoço em qualquer um deles dá para repor todas as calorias gastas até à data e podem comer o que quiserem até rebolar. Eu adorei!!!
A praia tem o mesmo mar - revolto e perigoso, e está bastante cheia de gente jovem e animada. Palomino é um centro de jovens, hippies, backpackers e bastantes engates!



A coisa imperdível de Palomino é o Tubbing no rio Palomino. Vão logo de manhã (logo depois do pequeno-almoço ou então com umas sandochas dentro de sacos impermeáveis) porque pelas 16h30 há já muitas zonas que ficam à sombra e como estamos sempre dentro de água pode ficar muito frio (eu desesperei mesmo, já não sabia se nadava se pegava na boia e ia a pé...) Demora umas duas horas e vai-se de Motoboy até ao ponto de início (eles podem apanhar-vos na ponte ou podem ir da ponte até à civilização a pé, que é mesmo muito perto ou, se tiverem tempo, seguir até ao rio se juntar ao mar).
Infelizmente, estava sempre meio enublado de manhã pelo que só conseguimos ver a Serra Nevada do avião. Mas em Palomino tentem ver em algum lado!

Em Palomino quase não há internet (o Tiki tem, mas está sempre a ir abaixo).
Comam na Pizzaria La Frontera e bebam sumos no quiosque da frente. Mas não lhes peçam sugestões de misturas de sumos porque a cada fruta que vocês perguntam "fica bem com quê?" eles respondem "leche"
Um sumo natural do que quiserem dá para duas pessoas e custa 3.000 COP (menos de 1 euros). É beber até rebentar!





Para sair de Palomino há o autocarro local de 15 em 15 minutos para qualquer uma das direcções.

Nós seguimos até

TAYRONA
Bem, eu não quis perder Tayrona porque (como Cartagena) era aquele lugar que todos me diziam que tinham ido. Muito sinceramente, até tinha ficado o dia inteiro a chillar no Hotel. Ficámos a dormir num Eco Hostal Yuluca, que adorámos. Fora toda a bicharada que lá havia e o restaurante (muita fraquinho).
Coisas boas no Hostal: fica na estrada, por isso é super acessível (mas barulhento...), tem uma cozinha e uma máquina de lavar a roupa!, tem piscina e tem uma super envolvente natural.
É uma óptima solução para quem quer ir a Tayrona mas já não está para acampar ou dormir em Hamacas. E nós, felizmente, tirámos essa ideia da cabeça, porque se não acho que me tinha passado. É muito SW para mim.
Achei o Parque bonito mas, com a maior sinceridade, esperava um pouco mais. Para quem viaja pouco para locais com muita natureza acho que é imperdível. Para quem já viu muito, acho que pode ser dispensável.
Nós fomos só um dia, que nunca pode começar antes das 8h, hora a que abre o parque, e terminar por volta das 17h, porque é preciso fazer o caminho de volta.
Por isso, fomos de cavalo desde a entrada mais perto do Yuluka até Cabo de San Juan e depois fizemos o caminho de volta a pé.
Felicidade foi quando encontrámos a Padaria Bere, perto de Arrecifes. Tem óptimo pão de chocolate e dá mesmo para tirar a barriga de misérias (passei alguma fome nesta viagem...)
A partir daí, enganámo-nos no caminho de regresso e fomos pelo caminho dos cavalos, que é pelo interior do parque. NÃO SE ENGANEM!




SANTA MARTA
Só fomos a Santa Marta porque tínhamos voo de regresso de lá para Bogotá. Ficámos a dormir no Mango Hostel (que não vale, de todo, o preço!), que é super central, e por isso aproveitámos para visitar a cidade. Mas não há grande coisa para ver e foi o sítio onde me senti mais desconfortável de todos os locais visitados. É muito quente e as praias ainda são um bocado longe, por isso nem fomos.
Talvez Taganga, como ponto de partida ou chegada seja mais interessante.

Espero que as dicas sejam úteis e caso precisem mandem-me email: saravirtuoso@Hotmail.com

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Adeus Colômbia

Gostamos sempre de reservar os últimos dias das viagens na cidade a partir da qual vamos voltar para casa. Normalmente acabamos sempre exaustos, sem vontade de caminhar mais e já cheios de emoções e por isso mesmo os últimos momentos parecem mera espera.
Para voltar para Bogotá escolhemos Santa Marta, onde passámos meio dia e uma noite. Achávamos que tínhamos reservado um hostel confortável para descansarmos antes de voltar, mas afinal foi mais um fiasco. As fotografias do Booking deviam ser do dia da inauguração e fomos encontrar um quarto com paredes cheias de salitre, a cama por fazer, um tanque que denominaram de piscina, onde três turistas molhavam os pés. O pequeno-almoço foi uma luta numa cozinha minúscula, entre o Kico e os adolescentes viajantes que não viam banho há meses, de volta de uma torradeira que torrava de cada vez duas fatias de Panrico (mas desta vez versão integral). No final, acabei a lavar os pratos, com um fiozinho de água fria e uma esponja gordurosa.
Santa Marta foi o sítio mais quente onde parámos, o que nos tornou ainda mais vegetativos. Deambulámos pelas ruas velhas e acabámos os dois, catatónicos num café a ver as horas passar.
A cidade é pobre e, quando jantámos numa esplanada na rua, senti-me em Bucareste. Incomoda tanta miséria, assusta o estado de algumas pessoas. Tanto o nosso hostel como a única loja em que entrámos, trancam-se a sete chaves. Há mil recomendações para não passarmos na rua em frente da igreja depois das nove, dez, onze horas. Por isso, engolimos uma pizza (mais uma) e chispamos para o quarto.
Apesar de tudo, Santa Marta é genuína, é musical, é original.
De manhã, regressamos a Bogotá, mas do outro lado da cidade. Instalamo-nos na Zona T, depois de uma hora parados no trânsito. Finalmente encontro um local bom para comer: um pequeno restaurante amoroso que vende empanadas (mas desta vez das boas) com vários cheios diferentes. Não só almoço/lancho ali, como à noite vamos lá novamente. No final, quis deixar uma gorjeta à miúda e com tanta confusão, acabei por lhe dar 11 cêntimos. Morta de vergonha, torço para que ela tenha percebido que nos enganámos.
As ruas são um rebuliço, entre lojas e restaurantes. Há muita gente, barulho e trânsito e, exaustos, vimos dormir.
Amanhã voltamos para casa.
Ainda mais fortes.
 


Tayrona, o último ponto

Como não podíamos voltar para o Tiki decidimos tentar o conforto noutra zona. Despedimo-nos da senhora do Breeze que nos espetou duas beijocas repenicadas (uma em cada um, que cá é à queque) e, debaixo de um enorme calor, apanhámos na estrada principal o autocarro que nos ia deixar à porta do Ecoresort Yuluka (não sabia bem se gostava do facto de ser um hotel de beira de estrada).
Decidimos que não queríamos acampar no Parque Tayrona, com as complicações todas que isso implicava - deixar as malas em algum sítio, ter de voltar para esse mesmo sítio, acampar em si mesmo também é complicado e, ademais, nunca relaxámos com toda a história do Zica (obrigada pelas várias mensagens a dizer "tem cuidado"...)
 Por isso tudo (e já eram muitas razões válidas) arriscámos ficar a dormir a alguns quilómetros do parque e ir visitá-lo durante um dia. Foi um risco compensador.
Desde logo, tínhamos ao dispor uma cozinha, frigorífico, máquina de lavar a roupa e estendal. Aproveitámos logo para pôr debaixo do sabão toda a roupa que tínhamos. Jantámos no hotel (porque não vimos grandes opções pela estrada) e fomos dormir.
 
O hotel dá boleia até ao parque Tayrona, mas só pelas 8 horas (hora a que o mesmo também abre) e, assim, o nosso plano de ir madrugar a caminhar não resultou. Por isso, para aproveitar melhor o dia, pois escurece pelas seis da tarde, assim que chegámos ao parque Tayrona, fomos de cavalo até ao Cabo de San Juan (que nos custou mais 40mil, além dos já pagos pela entrada). O percurso a cavalo é por dentro da floresta e não à beira-mar, o que acaba por reduzir o tempo.
 
Assim ao fim de uma hora e meia estávamos lá. Depois de um mergulho no mar para tirar o cheiro a cavalo, enchemo-nos de coragem e fomos fazer o trekking de duas horas até ao Pueblito - uma aldeia histórica ocupada por indígenas Tayrona. Duas horas sempre a subir, a suar em bica, a ultrapassar obstáculos (pedras, paus, raízes, macacos), e a ficar sempre atrás dos outros caminhantes todos. Foi aí que percebi o alerta fitness que o Kico recebeu. É urgente que vá treinar um pouco...
Eu tentava sempre olhar para o céu em busca do tucano, mas tudo o que mirei foi uma borboleta maior que a minha mão...
 
O percurso é bastante puxado e, fora o trecking em si mesmo, não tem qualquer recompensa final. Pueblito faz parte do passado... hoje tem umas sete cabanas e não se vê vivalma, para além de três ou quatro turistas com os bofes de fora, sentados nas poucas sombras a retomar coragem para descer tudo outra vez.
 
Estávamos cansados, com calor e com fome. E já eram quase três horas, a hora recomendada para recomeçar todo o caminho de volta para sairmos do parque. Um turista suíço (para variar) tinha-nos dito que havia uma padaria barata ao pé dos Arrecifes e esse era o objectivo: chegar lá para comer.
Quando chegámos lá fiquei encantada. Finalmente um pão!! Massudo e gordo, com chocolate ou queijo. Foi a alegria do meu dia!
Enquanto eu espreitava o forninho da velhota padeira, o Kico ia apertando as mãos a uns jovens que chegavam. Portugueses em viagem, sempre gostam de se cumprimentar.
 
O jantar foi a continuação de uma degustação de pão da padeira de Tayrona, acompanhado de sumos naturais. Não tínhamos energia para mais. Doridos dos ombros às pontas dos pés, dormimos ao som dos grilos, pássaros e camionetas que iam passando na estrada. E eu, claro, com o mais forte ruído de todos, o ressonar do meu marido.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Palomino

Finalmente o conforto!!! Um super hotel, estilo resort africano no meio da Savana, com uma piscininha à maneira, uns lençóis que pareciam lavados, uma rede mosquiteira, pessoas simpática, jardim impecável. Desta vez a coisa havia corrido bem e tínhamos acertado na escolha do sítio para dormir. O Tiki Hut Hostel era o paraíso do backpacker que chegava cansado, como nós, a Palomino.
Bem, correu bem mas podia ter corrido melhor. Quando já estávamos a finalizar a reserva pelo Booking para duas noites vacilámos. E se não é bom? E se tem cabelinhos? E se não gostamos de Palomino. Não, o melhor é reservarmos só uma noite e depois logo vemos. Errado. Depois logo ficamos apeados que o Hotel não tem vagas para o dia seguinte. E para depois de amanhã? E para depois depois de amanhã? Nada. O que é bom acabou rápido e a nossa alegria foi mais fugidia que os mosquitos da zona. Depois de um pequeno-almoço absolutamente divino (com panquecas, sumo natural, ovos mexidos e, como não podia deixar de ser, panrico) lá nos mudámos nós para o Breeze. Nunca mas nunca façam isto, pessoas que vão a Palomino. Nunca deixem o Tiki Hut escapar-se por entre as vossas mãos. Nunca deixem que outros turistas ocupem a vossa cabaninha, se deitem nas espreguiçadeiras ou descansem nas hamacas, enquanto vocês ficam na recepção a tentar usar a única internet que existe em toda a região.
Pode fazer toda a diferença.
 
 
No nosso caso fez. Em vez de estoirarmos as nossas férias todas em Palomino, decidimos que se não podíamos ter o Tiki, então não queríamos mais nenhum. E por isso havia que gozar bem rápido de todos os programas disponíveis. Fora apanhar um sol e dar uns mergulhos no mar agitado da praia, tínhamos ainda toda uma panóplia de actividades desportivas em mente - um yoga na praia, surf ou body board, umas caminhadas.
Optámos por começar pelo Tubbing. Alugámos as boias no Luna Beach Hostel, a 17.000 pesos e fomos com um Motoboy até ao início da trilha. Esqueceram-se de nos dizer que ainda tínhamos uns bons trinta minutos para caminhar pela selva, sozinhos, com calor e com duas boias gigantes.
 
 
Descer o Rio Palomino de boia dura aproximadamente duas horas, até o rio chegar ao mar. A paisagem é incrível - é o rio mais bonito que já vi, transparente, com água não muito fria e, ao redor, a vegetação é infindável. É a melhor maneira que há para se verem diferentes espécies de pássaros e viver mesmo intensamente a natureza. Mas iniciámos muito tarde. A meio do percurso comecei a ficar gelada, o sol começou a escassear e, a um certo ponto, não aguentava mais estar deitada na boia à espera. Ou seja, durante cerca de uma hora, remámos que nem uns doidos, fizemos batota em algumas partes e carregámos a boia debaixo do braço e lutámos o mais que pudemos para chegar rápido à praia (quando, afinal, se tivéssemos saído na ponte onde alguns pedem que os motoboys os esperem, tínhamos caminhado 5 minutos e estávamos no hostel).
Quando chegámos estava exausta, gelada e apavorada porque já era lusco-fusco, a hora preferida para os zikas aparecerem todos. Ainda nos faltava todo o caminho pela praia, que durou ainda mais uma meia hora.
Foi da maneira que dormir essa noite toda (mais ou menos). Na manhã seguinte as dores nas pernas eram mais que muitas e quando acordámos o nosso singelo Hostel não tinha a cozinha aberta (num país onde às 6 é de dia, como é que abrem as cozinhas às 8?!) Lá fomos nós, caminhando, com sono e com fome, em busca de um pequeno almoço que se equiparasse ao do Tiki (pois é, tudo girou em volta do Tiki). O Dreamer tinha pequeno-almoço bufet aberto a visitantes. Mais panquecas, sumos, bolos, croissants, fruta e, claro, Panrico. Uma maravilha. Ficava ali a manhã toda mas tínhamos que ir arrumar as malas e desocupar o quarto.
Antes de ir embora almoçámos numa pizzaria que andávamos a namorar desde que chegáramos. La Frontera de seu nome, serviu-nos umas deliciosas bruschetas e uma pizza que dividimos e, de barriga cheia, apanhámos o autocarro local até à nossa próxima paragem.
Mas não sem antes pegar num sumo de lulo e banana, na minha barraquinha preferida (a que tinha pior aspecto de Palomino) - sumos naturais que enchem dois copos, a 3000 pesos.
 


 


O fim do reinado da tuta e meia


Desde então, o nível de conforto foi sempre a decair. Eu só pensava que se calhar devia ter posto a minha capa de aventureira de lado, devíamos era ter ido para a zona cafeteira e, àquela hora, estaríamos numa fazenda fancy a beber umas canecadas (de café aguado, talvez).

Mas não. Estávamos no Deserto, em Guajira.

Ao menos fazia calor.

Alex, o nosso guia, fez-me experimentar como é participar no Dakar, sempre a abrir nas estradas de areia. Faz aquele percurso diariamente. Já sabe em que portagens quer parar para dar doces e água às crianças que tentam impedir os carros de seguir viagem com umas cordas que atravessam no caminho. Já fala o dialecto Wayuu. E também faz peões. Íamos capotando, mas não faz mal, ele apenas percebe que aquele caminho não vai dar e volta para trás uns metros em marcha atrás a 70km/h. O importante é relaxar, que aqui é mesmo assim: não há condições.

São quilómetros de areia de se perder de vista. Consoante avançamos, a paisagem vai-se alterando ligeiramente. Areia, areia e pedras, areia, pedras e conchas, lama, vegetação seca e cactos ou, mais perto da água, até mesmo verde. Mas, para lá da areia, temos o mar. E desta vez é mesmo o mar do Caribe, verde e azul, como nos postais. A combinação é contraditória. Riqueza e aridez, frio e quente, seco e água.

A primeira paragem ele faz numa parte do deserto em que temos uma miragem. Parece água. Mas é só o sol a bater na areia.


Bahia Portete
Uríbia é a capital indígena da região de Guajira ou também apelidade como capital dos sacos de plástico. É inacreditável como é que tanto plástico chega àquele local. Há por toda a parte, presos nos cactos. As cabras que para ali pastam é com o que se alimentam... sacos e pedras. No caminho passa por nós um cão. Todo o jipe se enche de piedade. Pedem para parar o carro, para lhe dar água e batatas fritas, pobre cão, tão magrinho. Mas o cão não se aproxima e logo se junta ao dono que dormita debaixo de um toldo. O mesmo não se passa com a centena de crianças que, cada vez que passa um carro, pára as suas brincadeiras e corre para se abeirar de mão esticada. Estamos mesmo num lugar contraditório.

Paramos no salar de Manaure, onde Alex nos explica por alto a técnica da extracção do sal. Aqui e ali formam-se umas baías, com água transparente, mas onde não nos podemos banhar (as areias são perigosas). Também há praias onde não aconselham que entremos no mar, por causa das correntes e das alforrecas. É o caso de Cabo de la Vela, onde paramos para almoçar, e que é um destino eleito para os praticantes de Kite Surf (eu agradeço o vento, que afasta os mosquitos). O menú não varia muito durante estes dias: peixe frito ou peixe frito. Há quem escolha o frango, mas nós não nos atrevemos. Aqui é como no Café do Aires, desliga-se o gerador a partir das 11 da noite e, além disso, nas condições em que estes bichos vivem, prefiro ficar-me pelo arroz. Passo alguma fome, é verdade, porque ali nada há para substituir. Nem fruta, nem produtos frescos, nem pão. O Kico vai-se entretendo com a cerveja venezuelana e eu digo a  mim mesma que assim pelo menos, nesta viagem, não vou chegar a casa mais pesada.

Depois do almoço vamos para o mar. A praia perto do Pilón de Azucar está cheia de turistas que se mesclam com os adolescentes locais, sentado na ponta das nossas cangas, para nos impingirem bebidas frias. O mar é bonito e mexido. A água é morna. Aproveitamos para descansar e para nos refrescarmos. À noite (ou seja, pelas 19 horas), indicam-nos os chinchorros onde vamos dormir. Já sabia que iamos dormir em redes, mas ali?!? Num telheiro, em frente à praia, do outro lado da rua da estalagem. Não. Não durmo ali. Tenho medo. Quando partilhamos a angústia com uns suíços que conhecemos ao jantar eles riem-se. “é preciso coragem para dormir na rua.” Quando armo o circo, a colega de jipe (que também ia dormir connosco) diz-me que havia a opção de escolher cama e pagar a diferença. Ah!!! Mas só agora é que nos dizem?! Vamos logo averiguar se ainda podemos dormir debaixo de um tecto, nem que seja todos juntos.
 


 

No dia seguinte, cedo vamos até Punta Gallinas, o ponto mais Norte da América do Sul. Apesar de ser um deserto, a paisagem é variada e deslumbra-me e, por isso, faço um enorme esforço por manter os olhos abertos. As dunas de Taroa escondem uma praia super exclusiva, onde há pouco mais de dez pessoas. Aí passamos parte da manhã antes do almoço, que é feito na nossa nova estalagem. Aí já não vamos na cantiga, pedimos logo para ver os quartos. Ficamos divididos entre dormir em camas de cimento ou em hamacas junto de todos os outros hóspedes, mas as condições das casas de banho e o barulho que os grupos maiores fazem levam-nos a optar pela privacidade. Estamos cansados, sujos e famintos, mas valeu a pena o tour a esta zona menos conhecida da Colômbia. Os outros perguntam-nos como é que fomos ali parar, não é normal haver turistas que não seja para o Kite Surf. O que diz muito sobre este lugar.
 
Nota: em Cabo de la Vela dormimos na hospedagem Apalanchii e pagámos mais 20.000 para dormir no quarto, com casa de banho com autoclismo e chuveiro (mas tomámos banho nos duches partilhados).
Em Punta Gallinas dormimos no Luz Mila, que também era mais 20.000 (sempre por pessoa) por um quarto com várias camas, mas que era só para nós, sem autoclismo e sem duche. A água mal dava para lavar os dentes.
Marcámos a viagem com a MagicTours, ficou-nos a 450.000/ pessoa, com tudo incluído. Se pagarmos mais 10.000 temos direito a lagosta em qualquer refeição. E vale a pena, porque o peixe é sempre frito.
É preciso marcar viagem com antecedência, porque só saem se tiverem número mínimo de pessoas.
Não é fácil ir sem guia - não dá para ir de autocarro. O guia indica todos os pontos para ir, desde fazer praia a ir ver o pôr do sol.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O dia em que percebemos que já não somos backpackers


Finalmente parámos num sítio com Internet, ainda que a meio gás (por isso, fotografias só daqui a uns dias). Agora posso escrever-vos sobre o que se tem passado e como temos vindo a perceber que já não somos do grupo da malta jovem que viaja com o mínimo, que fala com toda a gente e que dorme nas camaratas. Sinto que já somos olhados como aquele casal um bocado mais velho que também vai no mesmo autocarro que eles mas que, depois, quando cai a noite, dorme em melhores condições e come em restaurantes. Se calhar também olham para nós e perguntam: “onde é que esta gente desencanta o dinheiro?”, que é a pergunta que nós os dois fazemos sempre que vemos aqueles que, para nós, são os mais velhos, e que andam aí dois e três meses a viajar e exactamente com as mesmas comodidades que nós (ou mais).

Mas como é que isto nos aconteceu?

Enquanto estávamos sentados à espera do autocarro que nos ia levar Riohacha, depois de uma noite muito confortável em Barranquilla, o Kico disse que tinha uma confissão a fazer. Já não queria viajar mais neste registo. Estava farto de viajar desconfortável, de comer mal, de dormir em sítios medonhos. A verdade é que a nossa vida em casa não nos permitiu que nos debruçássemos sobre onde iríamos e pensámos que, à semelhança do que fizeramos até agora, podíamos vir e viajar com a maré. Sabíamos que aterrávamos em Bogotá e dali voltaríamos para Lisboa. Tínhamos um voo para Cartagena. E nada mais. Mas nem 15 dias são suficientes para isso nem a Colômbia nos dá toda essa flexibilidade. Acabámos por despender muito mais e a aproveitar muito menos. Então decidimos mudar o conceito. Se calhar está na hora. Não sei. Se calhar nem é assim tão estranho – em todos os bons sítios que temos dormido há sempre pessoas jovens e, ao contrário do que eu poderia pensar, não me sinto desintegrada com a minha roupa velha, que uso em repeat, vezes sem conta.

Muitos detalhes da viagem nos têm vindo a correr mal e isso stressou-nos muito. E viemos de férias, estávamos cansados, queríamos limpar a cabeça. Não se consegue relaxar quando se dorme num Hotel onde se brinca que há crocodilos no chão e, por isso, nada pode cair ou não se pode pôr um pé fora do chinelo. Por isso, apesar de termos escolhido um hotel longe (muito longe) do centro de Cartagena, desfrutámos o mais possível da cidade (que se vê numa tarde) e ficámos muito satisfeitos com o conforto. Ademais o Kico estava doente. Depois do almoço, o Maurício (colega colombiano do meu pai) foi buscar-nos ao Hotel e levou-nos para casa do cunhado, na Ilha Baru. A ideia era ficarmos lá duas noites, mas afinal ele tinha que trabalhar. Desta vez, as alterações de planos não eram responsabilidade nossa.

O caminho para lá ainda era longo e eu em pânico que o sol se fosse embora ainda antes de eu conseguir absorver alguns dos seus raios. Era tudo o que precisava para me recompor. Parte do caminho é feito pela praia, à beira mar. Uma verdadeira emoção. Finalmente víamos o mar tal e qual ele nos foi anunciado: azul e verde. Já imaginava o carro a ficar atoladinho e nós a passar o final do dia a empurrá-lo. Mas pelo menos ía ser na praia (ou lá perto). Seguimos a estrada de terra batida quando o carro parou e não voltou a arrancar. Mas, calma, foi só uma brincadeira e este susto não durou mais de cinco minutos. Por fim, chegámos ao paraíso - uma casa à beira do mar. Só para nós.

Tomámos um banho maravilhoso e ficámos a ver o sol a cair no mar. Mas, o que a solidão tem de romântico também tem de caro. Ali não havia onde comer, a não ser um luxuoso hotel. Partilhámos como Maurício um filete de peixe e uma massa com quatro camarões, e depois de acabarmos o jantar com fome, largámos ali cerca de 30 euros. Desengane-se que acha que vir de férias para a Colômbia é barato barato.
Depois do pequeno-almoço, o primeiro na vida em que comi ovos mexidos (porque não tinha como dizer que não), empurrados com arepa - que são umas tortilhas de milho e leite ou água que se comem a toda a hora por aqui, fomos para Barranquilla, para casa do Maurício. Lá, Carmina, a sua mulher, estava à nossa espera para nos levar a visitar tudo.

Barranquilla foi uma experiência local. Provámos um pouco de todos os sumos de frutas que se lembraram de nos oferecer, finalmente comemos bem, dormimos numa casa muito confortável, lavámos a roupa (nota: nunca deixar pôr a roupa numa máquina de secar). Ficámos a saber muitas coisas sobre os caribenhos e vimos os preparativos para o segundo maior Carnaval do Mundo. A cidade estava preparada, por todo o lado as ruas dão sinais: os supermercados, as lojas, os prédios, a porta das casas e até alguns carros, enchem-se de motivos alegres e muita cor. Os grupos de dança juntam-se nas ruas, a ensaiar e, só por si, isso já é um espectáculo.

O Museu do Caribe é muito interessante e poderia ter lá ficado um largo tempo, a ler sobre as povoações indígenas, sobre a cultura, a ouvir a música. Uma visita dá-nos um pequeno cheirinho do que é esta região e, depois de ver um vídeo sobre as danças tradicionais, saio com pena de não ficarmos para o Carnaval.

A Carmina foi uma anfitriã exemplar. Na hora da partida, e para economizar o meu stock de roupa lavada, vesti a t-shirt que usei na véspera, para levar na viagem. Ao despedir-se de mim, olhou para mim cheia de pena e perguntou "Mira carino no quieres que te empreste ropa para llevares?"

Lá fomos nós no melhor autocarro da Colômbia (fomos na Brasilia), porque para este casal colombiano, já nos bastava de aventuras. Mal sabiam eles que ainda estava só a começar a nossa viagem.

Se este era a Rede Expresso, nem quero imaginar como seria a Barranqueiro cá do sítio...
Coisas importantes a reter: não ir num autocarro de noite para um sítio desconhecido depois de ouvir o taxista que nos leva ao terminal de transportes. Diz que ha indígenas que roubam tudo e que o deserto é deles, não há quem lhes ponha a mão. Não recordar as histórias de uma Barranquilhena, que foi seguida por três motas com seis gandulos que lhe apontaram armas à cabeça. E só há uns três meses. Não ver filmes sobre raptos de turistas e outras cenas terroristas (muito menos doblado em espanhol). Lá se foram mais uns meses de vida nesta viagem de autocarro...
Quando o táxi no deixou no Hotel em Riohacha respirei de alívio mas durou pouco - a reserva que estava feita em nosso nome era só para o dia seguinte. Bravo, Sara. Clássico. Haveria mais um quarto disponível?

- Não, por hoje estava tudo cheio, mas não faz mal, que ali à frente há mais um Hotel, eu levo-os lá.

- A pé? !?

Se não fosse a simpatia deste senhor, acho que tinha entrada em pânico. Quando não se conhecem os sítios ou deles nunca sequer se ouviu falar, todos os sons, todos os olhares e todas as sombras, à luz da noite, podem fazer tremer estes joelhos que eu tenho bem sensíveis.

Já tarde, todos os restaurantes estavam fechados, e fomos dormir com pão e banana no estômago. Ainda hoje estou para saber se os ruídos que me acordaram às 5:30 da manhã foram foguetes mal rebentados ou tiros.

De manhã tudo tem outro encanto e os tormentos que me assaltam à noite parecem-me sempre tão patéticos.

Afinal estávamos no cenário dos livros de Gabriel Garcia Márquez. Também não houve muito tempo para conhecer a cidade porque logo logo nos vieram buscar para irmos servir de isco para os índios e os malditos venezuelanos que nos iam raptar e assaltar.
Isto foi o que se passou na minha cabeça nas três primeiras horas de viagem, enquanto os saltos que o meu rabo dava no banco do jipe me iam baralhando ainda mais as ideias.

 

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Chegámos ao Caribe


Foi mesmo isso o que eu pensei. É isto?
São 7 da manhã, estão 27 graus lá fora e escrevo encostada a uma almofada, numa cama de lençóis branquinhos. Tão feliz.
O Kico ainda dorme, está meio doente. Pela primeira vez nesta viagem e pela primeira vez em todas as viagens que fazemos juntos.

A chegada a Cartagena foi um tormento. Já chegámos ao aeroporto exaustos. Aguardámos um tempo que nos pareceu infinito pelo embarque, depois de uma pizza com doce de ananás que nos custou os olhos da cara e de uma fiscalização pouco tranquilizadora (até a água passa) feita pelos seguranças do aeroporto.
A cabeça caía-me e não conseguia manter os olhos abertos. Só queria uma cama onde me pudesse deitar e dormir.
Dormir.
Dormir ficou mais difícil quando, horas depois, chegámos ao Hotel que um Sr. Colombiano nos tinha reservado. É que a reserva não existia e o único quarto livre era de fugir. Enquanto me mostrava o quartinho, o recepcionista ia passando as mãozinhas pelos lençóis a tentar dar um ar mais apresentável. Bem, pelo preço exagerado, dissemos adeus, nem pensar!, e pusemo-nos a investigar uma opção viável pelo Booking. Olha, calha bem, que há aqui um mesmo na porta do lado e é a metade do preço.
Ficamos, nem que seja uma pocilga. E assim foi.
Cheirava mal, era mínimo e claro, tinha cabelos. Dormir naqueles lençóis nem pensar e pôr os pés no chão também não. Mas dormi tão descansadinha... até às 5 da madrugada.
Missão do primeiro dia em Cartagena? Mudar de hotel. Esta é uma situação muito Sara e Kico. Procurar no Booking, chamar o táxi (ou, no caso, o Uber), e ir espreitar o próximo. Desta vez era um Hotel de 4 estrelas, a 3 km do Centro.
Só que, também muito típico, correu tudo ao lado. O Centro de Cartagena não é a Cidade Murada e por isso as viagens de carro tornaram-se verdadeiros tours pelo guetto cartageno.
Mas compensou. Uma noite tão bem dormida, depois de um duche, também ele frio, uma piscina e armários. Pudemos lavar roupa. Pude chamar uma senhora para me vir limpar os longos e escuros cabelos que pairavam pelo chão.
Que felicidade.
O calor aperta nas ruas de Cartagena. Há muita gente, muitos carros, muito barulho, muitos turísticas e muitas cores. É muita coisa a acontecer ao mesmo tempo em ruas muito estreitas. Andámos aos ziguezagues até as pernas do Kico poderem aguentar e, sem pressas, viemos finalmente descansar.
O jantar foi pão e manga, que é para dar descanso às bananas.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Bogotá e as emoções à flor da pele

Jetlag, comida de avião, noites mal dormidas num Hostel barulhento (e sujo), vertigens, comida estranha, muitas cores no meio de muita escuridão.
O estômago emaranhado e uma bola no estômago.


Chegámos cansadíssimos a Bogotá, depois de um voo de Paris de 11:30 (onze horas e meia!!!!). Nem queríamos acreditar que tudo estava a correr bem - sem atrasos nos voos, sem malas extraviadas. Descobrimos a Uber logo à chegada e desde então nunca nos desiludiu. Andamos para todo o lado nos carros particulares dos colombianos que nos recolhem, a preços muito mais económicos do que os dos táxis e com a certeza de que eles nos vão buscar onde estamos e nos deixam no destino certo.

Dormimos no centro da cidade, La Candelaria. À primeira impressão, vemos muitas cores a tentar esconder a enorme pobreza da cidade. Casebres coloridos, bares cobertos com grafitis, bailes carnavalescos pelas ruas, autocarros do tamanho do metro de Lisboa.
Estamos na rua a olhar para o mapa, quando aparece o Jorge, el Matador. Aí percebemos que nem todos os malucos que deambulam pela rua são corpos amorfos resultantes dos efeitos nefastos da droga. Jorge sabe tudo sobre Portugal. As touradas, os lusitanos, o Alentejo, o fado. Porém, no dia seguinte quando nos encontramos novamente, ele pergunta-me como estou. Acho que me reconhece e sorrio para ele, respondo quando nos vamos embora e ele pergunta: Americana?
Ele leva-nos para a Plaza Bolivar onde, no meio dos pombos, encontramos um trio de portuguesas que, após a nossa resposta à pergunta que língua hablan, nos respondem nosotras tambiem (mais tarde um outro português tenta iniciar uma pequena amizade no Museu Militar exactamente da mesma maneira, hablando espanol...).
Vamos com elas ao posto de apoio ao turista, mesmo ali na praça e às 10 da manhã (já nós andávamos na rua há duas horas, porque o despertador são as noites mal dormidas) fazemos um tour guiado pelo bairro. Que é o mesmo que dizer que damos a volta ao quarteirão em duas horas e meia. Exaustos e famintos sentamo-nos no primeiro restaurante da rua para provar as iguarias de Bogotá. Agora já posso dizer que continuo a preferir as bananas esmigalhadas dentro do pão).



A sopa de frango e grão é o famoso Ajiaco santafareño, que se come com arroz branco e abacate (?). O outro prato é Tamal, um arroz (também de frango, neste caso) dentro de casca de banana. Com toucinho - ou seja, quando soube, nem comi mais...

Depois de almoço, deambulamos pelo bairro - visitamos o Museu Botero, e descansamos num café na Calle del Divorcio.
Enfrentamos a superstição (vamos la ver como corre este casamento), porque antigamente quando as mulheres eram infiéis os maridos daqui podiam matá-las ou mandar prendê-las. A prisão era mesmo ali, naquela rua. Assim nasceu a lenda de que qualquer mulher casada que passe ali pode acabar divorciada. 



Esse café, que fica do lado esquerdo de quem desce a rua, é uma escola de Baristas e ensinam todas as formas de se fazer um café colombiano. Nós bebemos um granizado, a imitar o André e o seu filho de 10 anos, super viajado e bem esperto, uns brasileiros que fizeram o tour connosco. Depois de uma bela conversa, combinamos encontrar-nos no Cerro de Montserrat e cada quais vagueiam, até lá, um pouco mais pela cidade. 
Ai, mas ninguém me avisou que pessoas sensíveis não deviam subir a Montserrat (se calhar ninguém, nem mesmo eu própria, me incluiu nesta categoria). Ao início achei muita cool filmar a subida para fazer pirraça e mostrar como somos muita aventureiros. Depois comecei a achar melhor era estar quietinha e por fim fiquei histérica, agarrei-me ao Kico com unhas e dentes e fechei os olhos até ao finzinho daquela maldita viagem. São mil e tal metros sempre a pique. Num teleférico. Na Colômbia.
Quando pisei o chão da montanha e vi a vista esqueci aqueles tormentos. Bom, mais ou menos, porque Montserrat é bem alto. Mas tão alto, que cada espertalhão que subia ao muro para tirar selfies me dava friozinho na barriga.
A vista é inacreditável - uma cidade imensa aos nossos pés. Prédio altos espaçados por superfícies verdes, rodeados de montanhas e cobertos de nuvens. Absolutamente incrível. Ficámos à espera do pôr do sol para ver a cidade iluminada. Ficou tudo ainda melhor. 


A conversa estava boa, a vista melhor ainda mas não dava para adiar mais a descida porque, de repente, caiu a temperatura.
A descida foi muito mais suave - talvez porque estávamos às escuras ou, então, porque já ia preparada.
Aproveitámos a boleia dos brasileiros até ao hotel deles, na zona Rosa e fomos de lá, a pé, até ao Park 93.
Aaaahhhh, afinal Bogotá era isto! Prédios modernos, restaurantes boémios, gente gira, carros bons. Agora o problema era mesmo escolher um sítio para comer que não ultrapassasse o nosso orçamento. Que se lixe!, isto hoje foi para a desgraça e não viemos até à outra ponta da cidade para comer no Subway (se bem que estivemos quase, não fosse o aspecto ressequido dos ingredientes para rechear as sandwiches). 
Depois de descermos as montanhas (e passarmos no prédio onde a Shakira tem casa), andarmos em Chicó e Usaquen, saímos de Bogotá com uma impressão absolutamente diferente. 

Claro que adorámos a esquizofrenia colorida do centro da cidade e vamos embora com pena de não termos captado toda a arte que se espalha pelas ruas, mas do outro lado é que está o conforto. Por isso, inclinando-nos mais para prédios com mais de dois andares, um mercado das pulgas, junto de um moderníssimo centro comercial, Hacienda de Santa Barbara, bons cachorros quentes e batidos verdes, de rabo bem sentadinho nos carros dos ubers, deixamos Bogotá rumo ao valor caribenho.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Passaporte Novo

Serei a única que acha um tormento renovar o passaporte?
Não pela demora, visto que tirei uma senha e o meu número foi chamado ainda antes de eu ter percebido em que piso iria ser atendida.
Mas porque fiquei extremamente nostálgica quando o Sr. do balcão folheou todas as páginas do meu passaporte, a verificar a validade dos vistos: China, Laos, Cambodja, Vietname, Tailândia, Angola, Brasil, Estados Unidos... as memórias são as viagens, Sra. Sara. Dizia ele. Tem toda a razão, claro que tem. Penso nos Bilhetes de Identidade do tempo em que o meu pai usava óculos redondos e cabelo comprido (há detalhes que não mudam, mas o cabelo não é um deles) e quando a minha mãe não se depilava (felizmente isso não se vê nas fotografias tipo passe) e penso como é engraçado anos e anos depois vermos como eram os documentos que se usavam (ainda tenho guardados todos os cartões da escola, com o horário nas costas). Claro que adorava um dia exibir as folhas dos meus diversos passaportes aos meus descendentes, para poder discursar com credibilidade sobre as minhas boas aventuras.

As lágrimas de tristeza misturam-se com as da risota pegada que foi a fotografia. Tento parecer séria mas charmosa (se é que isso em mim é possível: o séria, não o charmosa, claro!) mas acabo a parecer uma presidiária inchada. O Sr. olha para mim com olhos esbugalhados quer tirar outra Sra Sara? Agradeço imenso, sei que não vai melhorar, mas vamos só fazer mais uma tentativa? Posso sorrir, tipo sorriso amarelo? Sim, sim, desde que não se vejam os dentes (aí penso logo no Kico e na resposta que ele me iria dar sobre a impossibilidade de não se verem os meus dentes). 
Percebo que não se deve fazer o passaporte com menos de cinco horas desde que se sai da cama, e contento-me apesar de parecer uma viajante lavada em lágrimas.

Por fim, a assinatura. Dá para acreditar que demorei 10 minutos nesta parte? A pinta do "i" de Virtuoso não está perceptível, Sra. Sara. Ah, agora é o "r" que parece um cê. A sério, Sr. Mr. Perfeição Embalsamada! É a minha caligrafia, nunca viu pior?

Aqui estou eu, já munida da documentação para a PRÓXIMA VIAGEM!!! 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Quem disse que férias eram para descansar?

Um resumée de Paris

Voltámos das nossas pequeninas férias mais estoirados do que depois de uma semana super intensa de trabalho. Atribuo isso ao facto de termos uma vida profissional bastante relaxada (?!)

Quando o Rei faz anos, nós vamos celebrar. Este ano decidimos ir a Paris, porque a ideia é aproveitar os sofás ou quartos de hóspedes das famílias e amigos por aí.

Claro que o 13 de Novembro me veio deixar ainda mais ansiosa e, enquanto olhava para os outros ocupantes da sala de espera do aeroporto para perceber se éramos o único casal que ia em turismo de amor para Paris, vejo alguém a olhar para mim! Afinal, a Sara e o Raúl também deixaram as precauções anti-terroristas de lado e embarcámos todos no mesmo (minúsculo) avião. Duas Saras em pânico e dois maridos a bufar contra as paranóias delas.




Com a excitação de estarmos a viajar em grupo, acabámos por apanhar o autocarro errado e, apesar de termos largado 25€ para sair do aeroporto e chegarmos ao centro, ainda fizemos um bom ensaio para aquilo que seriam os nossos próximos dias: a verdadeira maratona pedestre. Valha-nos os trolleys em vez das backpacks, se não nem sei o que tinha sido de mim.

Largámos as malas no porteiro do prédio do Paulo e decidimos ir aproveitar o dia de anos do Kico. Já faz parte do dia 4 de Dezembro: dormir mal, comer ainda pior e cansarmo-nos que nem peregrinos. 

A primeira paragem foi no Cemitério de Passy. Os cemitérios parisienses são obras de arte imperdíveis. A originalidade supera qualquer museu e as celebridades estão por todo o lado. Para não falar da vista de tirar o fôlego.




O bicho da fome atacou o Kico e por isso parámos numa Boulengerie manhosa (após alguns desacatos baseados em não-comer-sushi-de-esquina-em-Paris), onde ele devorou uma baguete.
E depois seguimos.
E seguimos.
E seguimos.
Quando demos por nós estávamos perdidos algures entre a Torre Eiffel, o Louvre e os Champs-Elysées, sentados a comer um hamburguer no Burger King, para podermos usufruir da toillete e do wifi.

Mas a verdade é que visitámos todos esses lugares, nessa só tarde, e só a pé.


De verdade, gastei os meus sapatos.
Paris é Paris e queremos sempre parecer ajustadas. Mas essa vaidade custou-me caro. Além de ter estragado as minhas botas novas, compradas há um mês, fiquei aflita dos pés e de todos os músculos que nem sabia existir entre o pé e a perna.
E, no final, andei sempre vestida da mesma maneira, porque nunca despi o casacão ou tirei o cachecol...






A atmosfera em Paris é um misto de normalidade e apreensão. Militares passeiam-se por toda a parte, mas ainda assim, quem é que controla a quantidade infindável de gente que se deambula pelas ruas? Na minha cabeça, nada impedia uma bomba de rebentar tudo, ali mesmo, e voarem pedacinhos de turistas chineses e portugueses por ali. Confesso, fui paranóica. Mas portei-me bem.



O 29º Aniversário do Kico foi regado a gelado de chocolate e, estoirados, fomos para a cama às 9.
No dia seguinte, tentámos alugar as bicicletas que servem a capital francesa. Basta comprar um bilhete de 24 horas a 1,70€ e podemos usá-las de graça por períodos de meia hora.
Contudo, como é clássico do casalinho SB, a máquina não funcionava.





Com a ajuda desesperada do Paulo, que tinha alinhado em ir andar de bicicleta connosco e não em ser um guia a pé, tentámos de tudo. Mas nada. Por isso, não nos restou outra alternativa que apanhar o metro para irmos a Montmartre. Passeámos em Pigalle, tirámos as fotografias do costume em frente do Moulin Rouge e subimos ao Sacre Coeur. Lá para as quatro da tarde lá conseguimos as bicicletas e depois percorremos a cidade sobre rodas. Ah!, mas que descanso para o nosso corpo. Se tivéssemos sabido disto logo desde o início. Já não parece que levo uma mochila às costas nem que os pés estão acorrentados.





Comemos crepes, vimos a Torre Eiffel mais vezes do que qualquer outra coisa (e, de todas, tirámos fotografias e selfies), inspirei e expirei na Shakeaspeare, com os volumes de primeira edição da geração Beat a 300€.




Mas bom bom foi um passeio de carro, à noite, pela cidade. Obrigada Paulo. Paris realmente tem um encanto especial. E é, definitivamente, a cidade das luzes.

Apesar do frio e do cansaço, passámos uns dias bestiais. Passeámos, cultivámo-nos, tirámos algumas fotos (a maioria más!), ainda tivemos tempo para uma visita relâmpago-surpresa aos amigos dos meus avós e, melhor que tudo, dormi melhor nestes três dias do que nos últimos três anos!