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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Melhor fim-de-semana da Roménia


E este vai ser o maior post da história deste blog.

Pois é, a mãe vai-se embora e afinal não fico só com 50% de pena. Foi giro, quando eu estive de bom humor e quando ela não me chagou muito o juízo e foi muito divertido. E passaram-se mais 10 dias e deu-me uma grande ajuda lá em casa.
E penso que se vai embora muito bem impressionada.
Nos últimos dia da semana passada descobrimos que ao pé de minha casa havia coisas muito interessantes. Nomeadamente, o museu da literatura. Quando lá chegámos estava fechado já, mas a Rita voltou lá no dia seguinte para comprar souvenirs, para mim e para ela. Que amorosa. O porteiro do museu era a coisa mais simpática e quando quis fotografar o edifício pediu a umas senhoras que se afastassem mas fez de questão de permanecer para a fotografia. E bem, percebi que não conheço um único artista romeno, à parte do escultor Brancusi. Que tristeza... quando vim para cá e li o Lonely Planet da Filipa, vi lá uma série de escritores e pedi ao pai e à mãe que me comprassem os livros. Mas não foi fácil. Pelo menos já adquiri o Drácula, que confesso, ainda não tive coragem de começar a ler em inglês.


E, porque raio não temos nós o museu da literatura em Lisboa? Porque não cabia lá tanta preciosidade, quiçá (não temos, pois não? Não estou a dizer uma granda bacurada...pois não?)
E sexta-feira fomos jantar ao Parc Herastrau. Como estava imenso calor (mesmo, não podem imaginar o calor que tem feito aqui...) decidimos antes do jantar ir ao Shopping perto do trabalho da Filipa. O Baneasa. Bem.. é outra realidade, completamente. É onde está o pessoal, dito normal, num fim de dia. Ar condicionado, esplanadas de Starbucks e afins, lojas para a classe média se vestir (a minha mãe andava muito indignada porque ainda não tinha visto qualquer loja de roupa decente e não percebia como é que havia gente tão bem vestida). Agora já percebemos. Andámos literalmente a ver lojas até ser hora do jantar. E depois foi a risada para tentar encontrar o Trattoria il Calcio. Quando finalmente, no meio de prédios de luxo onde agora gostávamos de estar a viver, saímos do carro famintas e felizes por encontrar o restaurante, quase que fomos jantar ao Factoria. Mas valeu a pena a busca, porque comemos MUITO bem.

Sábado de manhãzinha partimos rumo à Transfagarasan (lamento muito não ter acentos possíveis para escrever da maneira correcta....NOT!). Eu, a Rita, a Marta, a Anabela e o Francisco.
Mal chegámos lá só diziamos “uau!! Uau!! Isto é espectacular! Uau uau!” Bem, adorámos. Saímos do carro dezenas de vezes para tirar fotografias, tanto da paisagem como nas nossas poses e ainda, e melhor, dos romenos. Oh gente da minha terra, onde eles decidem acampar, onde eles decidem picnicar... com tanto espaço, com tanto lugar bonito. Céus! E claro, deu para registar mais uma vez “the dark side of Portugal” com o lixo que eles deixam por todo o lado.





No início da estrada é que se encontra o verdadeiro castelo do Drácula (de Vlad Tepes, para ser mais correcta). O Castelo Poenari está actualmente em ruínas e encontra-se num penhasco, no meio das montanhas Fagaras. Foi erguido no século XIII, pelo Governantes da Valáquina (região sul da Roménia, onde fica Bucareste). Com o tempo, o castelo foi sendo abandadonado e, no século XV, Vlad III percebeu o potencial de ter um castelo empoleirado num abrupto percipício rochoso, tendo reparado e consolidado o mesmo, transformando-o numa das suas principais fortalezas. Em 1888 um deslizamento de terras derrubou uma parte do castelo e hoje encontra-se em ruínas. Para podermos lá chegar teriamos que subir quase 1.500 degraus e por isso decidimos vê-lo apenas cá de baixo...








Um pouco mais à frente chegamos ao Lago Vidraru. O lago tem uma cor linda, e só um barquito que lá passa consegue, calmamente, desarranjar a sua quietude perfeita. Uma das coisas mais bonitas que vi na Roménia.



Mas nem imaginam...perdemos o Balea Lake. O mais importante, que era a seguir a um túnel que atravessa as montanhas – no qual Rita e Anabela ficaram muito inquietas e nervosas, nomeadamente porque um romeno qualquer decidiu parar o carro dentro do túnel para ir ver o lago.
“Bem,  fica para a vinda”, pensámos nós, pondo como hipótese voltar pela mesma estrada – a estrada de Brasov estava caótica, a de Sighisoara para Sibiu, supostamente em obras e, felizmente, não nos restava outra opção para domingo.
Com o nosso plano, entrámos no carro domingo às quatro da tarde e eu adormeci (como é meu costume). Acordei com as pingas de uma forte chuva a cairem-me na testa, chuva essa que nos obrigou a mudar o rumo. Fazer a Transfagarasan com mau tempo não só é doidice como, muitas vezes é proibido. É por isso que esta estrada só está aberta durante os três meses do verão. Vento, chuva, neve ou nevoeiro matam quem ali tente passar.
Acabámos por ir ter à estrada E68, a que fizémos no fim-de-semana passado de Cluj a Bucareste. Engraçado, que de uma semana para a outra, as árvores já tinha “outunado” – passaram de verde-verde, para verde-castanho-amarelo.
O tempo passa. Só tenho pena de não apanhar neve por uns dias, nem a Páscoa na Roménia. Já fiz duzentas mil promessas de que não voltarei nunca na vida à Roménia, mas, quem sabe, depois de já conhecer o mundo inteiro, um dia volto cá....

De caminho parámos para ir comprar água e ir à casa de banho, mas o único restaurante da zona tinha um casamento romeno. Música alta, gente a berrar, danças típicas. Uma verdadeira festa. Eu, que tinha passado o sábado inteiro a tentar infiltrar-me no casamento do hotel onde dormimos em Sighisoara, porque estava repleto de gomas, peguei logo na câmara e comecei a filmar tudo. A minha mãe foi logo puxada para dançar, depois eu, depois a Marta. Ofereceram-nos fanta, cerveja, água e andámos ali aos pulinhos no meio do suor e das bocas desdentadas. Foi demais. Foi absolutamente hilariante. Finalmente, consegui ir a um casamento. Vocês sabem como eu adoro!

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Já à ida das Transfagarasan para Sighisoara eu tinha adormecido. Não aguentava mais. Fui acordada pelas conversas dentro do carro sobre os grupos de ciganos que se estacionavam às beiras das estradas e as suas casas imponentes. Mas isso foi o que eles me contaram, porque eu não vi nada. E de repente estavamos em Agnita, que a Magui e o Tornesi intitularam como a cidade mais feia da Roménia. Eu posso imaginá-los no carro a dizer “xii, de vnita Agnita não tem nada” mas EU até que achei normal. Mais uma vilazinha. E por acaso adoro as vilazinhas. As casas mesmo giras, todas coloridas, que dá uma animação à estradas, os telhados desencontrados, as poucas pessoas que se vêem na rua a cochichar, qual comadre alentejana.
E quando parámos o carro para a Marta e o Francisco irem apanhar maçãs (ok, esta parte não vos sei explicar) tinhamos ao lado uma placa a dizer que nos encontrávamos no CENTRO da Roménia.
Eu bem que achava que Sibiu devia ser quase o centro. Já estou esperta nisto.
Finalmente chegados a Sighisoara e depois de algumas (típicas) voltas à procura do Hotel, chegámos ao Korona. Ai, nossa, que delícia!
Oh pa isto! Chegámos, fui ao solário, esperámos que a piscina ficasse sem ninguém, tomámos banho à noite, com a lua a nascer, e as cores da piscina a mudar. Jantámos no restaurante do hotel, e fomos dormir o sono dos justos. Um luxo. Um grande luxo. Estávamos os 5 mesmo felizes da vida.



 Marta: "ai vocês e a vossa mânia dos hosteis. Não estou nada feliz da vida por ter ficado no vosso quarto por 15€ com direito a piscina, pequeno almoço e cama fofa. não não" :P

De manhã passeámos por Sighisoara, debaixo de um sol abrasador. Por um triz não fiquei sem cartão de multibanco, que um ATM quase mo comeu, mas não tinhamos um tostão e tinhamos imensos recuerdos para comprar.
Sighiosara é uma das sete cidades fortificadas saxónicas da Transilvânia. Os alemães vieram parar ao meio da Roménia, no século XII, atraídos pelos direitos de mercado estabelecidos pelos Húngaros (que eram quem dominava nesta altura esta zona do país). Por seu lado os Húngaros estavam interessados na presença dos alemães pois eram bons cavaleiros e guardiões das cidades. E ficariam assm responsáveis pela guarda contra os ataques Tártaros e Otomanos. Criaram-se assim sete cidades fortificada (Sibiu, Sighisoara, Cluj, Brasov, Medias, Sebes e Bistrita), hoje património da Unesco.
Muito antes disso fez parte do império romano e do império Dacia. Mas depois sofreu devastações com invasões tártaras e quando foi reconstruída, no século XII já foi pelos alemães (enfim, esta é basicamente a história de toda a Roménia – possuída por uns, destruída por outros, reconquista por estes, roubada por aqueles).
Nove das cartoze torres de vigia da cidade ainda estão de pé, hoje, em Sighisoara. Nós não conseguimos ver a cidade toda (que é pequena) porque estava mesmo muito calor. Andámos pelas praças e ruas principais. Mas vale a pena ler cada história de cada terra em que se vai aqui. Cada lugar é recheado de coisas.
Eu confesso que sou uma naba na história antes do século XX... por isso para mim é tudo díficil de apreender.
Mas posso dizer-vos que foi em Sighisoara que nasceu o Conde Drácula, o verdadeiro, claro. E tudo na Roménia tem um pouco a ver com ele, o que enerva alguns romenos...
E também que o monumento mais importante é a Torre do Relógio, o que dá as boas-vindas aos visitantes. Hoje em dia é um museu de história (da tortura, de armas e com acesso à torre do relógio).
Esta torre foi construída no século XIV e expandida no século XVI. Um incêndio destruiu-a e depois quando foi reconstruída foi decorada a cores. Mas mesmo o mais giro é que o relógio tem um grupo de figuras de madeira, que deveriam mexer com o mecânismo do relógio (bem olhei para lá mas nada vi). De um lado está a Deusa da paz, segurando uma folha de oliveira, do outro a Deusa da Justiça, acompanhada do anjo da noite e do anjo do dia.
Enfim, apesar de se conseguir ver numa tarde, Sighisoara tem muitos pormenores que nos deixariam ficar lá de bom grado uns dois ou três dias...










De volta a Bucareste, com uma tempestada tropical, as colegas de trabalho não se coibem de comentar a minha vestimenta. Almocei em casa com a minha mãe, que se encontrava nas preparações para a partida. À vinda para o trabalho apanhei um táxi com um taxista que, esse sim, podia ser de um filme do Kusturika. Eu acho que ele nem estava a falar romeno, mas reclamava com tudo e todos. Foi muito engraçado e no fim, pela primeira vez da história de Sarucha num táxi romeno, quis dar-me o troco. Uau. Às vezes a Roménia é espectacular.

Outras não tanto... a mãe foi agora embora (não vamos falar da confusão do aeroporto) e ontem a despedida dela e do Hugo (que vai para Itália acabar o estágio) foi no Turco, Divan. E ainda não acabámos de comer e já nos levantavam os pratos e, para surpresa e risota geral, aspiraram-nos a mesa.... só aqui?!

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