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domingo, 6 de outubro de 2013

Rio de Janeiro

Não sou de chorar nas despedidas, se não seguramente teria vertido este rio e o outro, cara abaixo, quando deixei o Rio.
Foi muita emoção.
Desde logo, o Rio de Janeiro traz-me uma espécie de nostalgia. Deve ser por termos passado a infância a ver e rever novelas da Globo, que tudo nos parece familiar - o cantar da língua, as praias, dizer que vamos na lanchonete, as pessoas, o calçadão com os motivos portugueses, o morro dos Dois Irmãos, a praia...
Rever a Carolina e (re)viver com ela. Reencontrarmos as nossas amigas dos tempos de Erasmus em Barcelona, agora num contexto completamente diferente, mas totalmente idêntico. Passaram-se seis anos, mas conservam-se as memórias, fazem-se confissões, permanecem o mesmo tipo de graças, relativamente à nossa linguagem.
Conhecer melhor o António, que me tratou como sendo da família. Ficar feliz por, mesmo longe, saber que a Carol está tão bem entregue.
Viajar com a Francisca - tentar, falhando sempre, planear os nossos passeios da melhor forma. Rindo, conversando e fazendo muitas confissões.
Conhecer pessoas novas e tão engraçadas. Sentir-me em casa no meio delas. Ir embora sentido que já pertencia ao lugar. Coisa boa estranha.




Além de tudo, fui surpreendida pela paz que o Rio de Janeiro me trouxe. Ia nervosa só de pensar que tinha de ir do aeroporto para a Vieira Souto, em Ipanema sozinha, já de noite. Imaginava que andar na rua sozinha metia medo. Que era pena o Rio de Janeiro ser tão bonito, no meio de tanta natureza que não podia ser explorada. Que me iria sentir insegura, enquanto apanhava sol na praia.
E que tal? Senti a maior tranquilidade. Passeei sozinha, estive na praia sozinha, fizemos trilhas, saímos à noite, entrámos em favelas. Não senti nada. Nada mais que felicidade.
Foi a segunda vez que visitei esta cidade. Foi de mim? Ou realmente alguma coisa mudou?
Adorei a comida toda - o pastel, pastelinho, bolo, bolinho, pão, pãozinho, suco, suquinho, açaí, paçoca, escondidinho, sushi, biscoitinho... E relembrar que em tempos chamámos alguém de pastel.
Rever algumas pessoas, perdidas no tempo.
 



Apanhámos dias bons e alguns dias menos bons (chuva, frio).
Algumas coisas não correram como planeado.
Quando, por exemplo, no primeiro dia, eu e a Francisca decidimos o que fazer, sem ouvir conselhos. Fomos ao Jardim Botânico, onde não vimos nada mais que árvores e macacos. Todas as estufas estavam fechadas, para obras ou por falta de plantas. E cores, nem vê-las. Sabíamos lá nós que existia um café giro ou uma Parque Lage (aos quais não chegámos, pois, a ir, nem naquele dia, nem nunca). Rir foi o nosso melhor remédio, após andarmos até lá e nos depararmos com tudo fechado.





Também o plano não nos correu assim tão bem, quando fomos duas vezes percorrer a mesma avenida no Centro. À primeira foi interessante, a segunda foi pura perda de tempo. Mas viajar sem mapas...
A primeira vez foi com a intenção de irmos ao Museu de Arte Moderna (MAR) que se revelou numa experiência engraçada. O Centro do Rio é caricato. Pobre, mas com reminiscências antigas, como o Palacete de D. João, onde hoje construíram o museu, que albergava várias colecções particulares sobre o Rio de Janeiro e o Brasil.
Uma obra caricata, que estava à entrada: a reprodução de uma favela feita em tijolos. Surpreende como é que as favelas podem dar uma paisagem tão bonita a uma cidade - o formato, as cores, a disposição no alto dos morros, descendo pelas encostas. Haja beleza, até nas coisas mais simples.


É a caminho do bairro de Santa Teresa que se encontram os famosos Arcos da Lapa e a escadaria de Selarón.
Jorge Selarón, e passo a citar o wikipédia, foi um pintor e ceramista chileno, que viveu no Rio de Janeiro. Sozinho, e depois com a contribuição de gente de todo o mundo, Selarón decorou a escadaria com azulejos. É uma obra mutante, tão incrível que eu fiquei com pena de só ter ido duas vezes. Por mim, iria cinco ou seis e perderia horas a descobri relíquias que por lá se escondem.
O artista foi encontrado morto, nessa mesma escadaria... Havido sido ameaçado de morte por um ex-colaborador por questões financeiras. Jurou que a obra só terminaria com a sua morte e que ele faria parte dela. E assim foi...




Santa Teresa é um bairrinho muito pitoresco. Antigamente, a forma mais comum de subir para lá era de bondinho (os nossos eléctricos) mas devido a uma acidente, fecharam-nos. Por não terem dinheiro para a sua manutenção, agora os moradores têm de arranjar alternativas para lá chegar.
Nós, subimos de táxi.
Há um contraste brutal, mais uma vez: casas lindas, moradias incríveis de arquitectura imperial e casas para lá de modestas, mercearias de rua que lembram que o Brasil ainda é um país pobre, gente que vive com necessidades mas sempre mostrando alegria.
Hoje é um bairro de artistas, como são sempre os bairros mais bonitos.
Nos restaurantes e lojas sente-se o ar alternativo.
Parámos no Mineiro, para beber alguma coisa. Havíamos almoçado mal e a correr, pelo centro (como sempre que se viaja e não se pensa muito... entramos no primeiro que vemos quando a fome já é tanta que os olhos já não vêem preços ou aspectos).




No centro, gostei também da Igreja Candelária (onde houve um massacre, há uns anos de meninos da rua....), da Confeitaria Colombo (que tem bolos e bolinhos de todo o género, mesmo como eu gosto) e do Teatro Municipal (que tem visitas guiadas que devem valer bem a pena!).

O resto dos dias passámo-los à bon vivant. Morar em frente à praia, literalmente, é um luxo que não sei se voltarei a sentir.
Por isso, aproveitámos, sempre que o clima o permitiu, mergulhar nas perigosas águas da praia de Ipanema (e também, algumas vezes, no Leblon).
Bebemos sucos, comemos açaí e andámos a desfrutar dos prazeres de uma cidade como o Rio de Janeiro.

Um dia decidimos seguir o conselho do António e ir ver a vista de uma trilha perto da favela do Canta Galo, no Parque das Catacumbas. Percorremos toda a Lagoa Rodrigo de Freitas. Parámos para milhares de fotografias e macacadas e quando lá chegámos, eu estava extenuada com o calor e as pernas apertadas nuns pequenos calções da Carol, estava a fechar. Confesso que ia chorando...
Este foi só mais um dos furos que tivemos nos nossos passeios!




Ah, mas não faz mal! Dado que não conseguíramos ver a vista daí, então iríamos até ao Arpoador. A Bru, que já vivera no Rio de Janeiro por três anos sabia perfeitamente o caminho. Só não conseguiu foi calcular o tempo para caminhar desde o local onde estávamos até à rocha onde, supostamente, iríamos ver o pôr do sol. Ficámos, pois, sentadas na ponta da praia de Ipanema, longe da confusão dos turistas e a aguardar coragem para voltar para casa.

 Quando finalmente nos juntámos todas - Bru, Dani, Monica, Sara, Francisca (a Carol e o António decidiram ir ver o Jon Bon Jovi ao Rock in Rio, pela segunda vez na vida, sem o saberem) - fomos jantar ao Leblon a um restaurante chamado Chico e Alaíde (mais conhecido entre nós como Chico e Adelaide). Comemos tão bem...

No dia seguinte, cansados mas com energias, fomos ao Morro da Urca, fazer uma trilha que o António há tanto queria fazer. Bom na verdade, ele apenas queria fazer o passeio da praia vermelha, andar sempre em frente por um caminho. Mas diante a possibilidade de continuar pelo caminho fácil ou subir monte acima, todos achámos que era ideal o mais complicado.
Suámos em bica, parámos de respirar, ofegámos bastante e amaldiçoámos a idade (ou mais realisticamente, a nossa condição física). Lindos, porcos e perfumados, chegámos ao primeiro patamar onde pára o Bonde do Pão de Açúcar.
Aguardámos um pouco, para recuperar para a descida. Ainda tentámos uma marosca de entrar no bonde sem pagar e quando finalmente estávamos a meio da descida eu ouvi que a partir das 18h todo o mundo podia descer de bonde sem pagar!! Excelente! Foi só mesmo para manter a linha, certo?

Ao fim do dia fomos beber uma jola e comer um pastel, na Urca, com uma vista tão agradável e um ambiente tão porreiro, que acabámos o dia felizes.
Mas mal sabíamos nós era que o dia não podia acabar por ali.
Estarmos todas juntas é algo raro... que não sabemos quando se repetirá...
E, por isso mesmo, à noite ainda tivemos forças para ir Sambar (entre um funk e sertanejo) num bar na Lapa (Sacrilégio).











Vivi o melhor de todos os mundos: amigas, conhecer pessoas novas, passear, fazer praia, ver vistas. Fazer algum desporto (infelizmente, só uma vez fiz com a Carol os circuitos da praia, pois não sabia que existiam. Ia ser tão feliz a fazer abdominais a olhar para os morros), correr no calçadão ou a mítica experiência com o Paddle Surf (ver aqui). Comer bem, descansar, ler, rir e estar na minha, a pensar.

Nem sempre o tempo foi amigo. Mas também não nos deixámos afectar. Tirando um dia em que ficámos em casa a recarregar baterias e a secar roupa (foi uma molha mesmo muito grande), aproveitámos ao máximo.

video



Um dia que esteve menos bom fomos a Niteroi. Aproveitámos para ir ao museu do Nieimeyer, ao Mercado comer Peixe grelhado e ao Parque da Cidade ver a vista para o Rio de Janeiro.
As Marias são completamente Locals e umas óptimas guias turísticas (e excelentes amigas!)


Mas não me fui embora sem antes fazer aquela que dizem ser a trilha mais bonita do Rio - Dois Irmãos.
Fomos, de maneira que não interessa contar, até à favela do Vidigal, onde apanhámos uma Moto Táxi (mais conhecidos pelos Moto Boy) até ao cimo. Depois foi sempre a subir, por uma trilha que sozinha nunca teria encontrado. Fisicamente foi puxado (outra vez a baixa condição física), mas o resultado?
Deixei-me encantar e acho que foi a melhor vista que já vi até hoje.


A minha despedida colidiu com o dia de anos da Carolina.
Um dia de praia, a comer areia, mas bem bom, na Barra, onde procurámos (sem sucesso) actores da Globo (que nenhum brasileiro leia isto ou a reputação dela já era) e uma noite, que nada prometia - uma feijoada e uma baladinha portuguesa na Pedra do Leme e que acabou por ser uma festa super divertida.
O dia seguinte foi para esquecer, mas o António não me deixou sair do Rio sem ir jantar picanha.

Tanta coisa boa!
Se podia viver assim?
Agradeço a todos os que fizeram destas férias, umas férias completamente inesquecíveis (nomeadamente à minha mentora Francisca) mas sobretudo à Carolina e António que me trataram como uma filha.
Espero que um dia se concretize a frase: Mas volta, Sarucha!
Obrigada

Mais fotos e histórias no meu FB!

2 comentários:

  1. está um espetáculo Sara:) é engraçado como, nao tendo estado presente na viagem e nao conhecendo metade das pessoas que referes mesmo assim continuo a gostar de ler o texto e cheia de vontade de ir ao Rio (também para matar saudades do casalinho carioca)! bjs, gi

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  2. Obrigada Gi!!
    Vão lá, vale mesmo a pena :)

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